segunda-feira, 18 de agosto de 2008

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Cientistas criam antibiótico a partir de larva de mosca


Cientistas britânicos afirmam estar desenvolvendo um antibiótico a partir de larvas de moscas que pode ser eficiente para tratar formas severas de infecção hospitalar.

A equipe de especialistas, da Universidade de Swansea, está criando o medicamento a partir de larvas da mosca verde que poderá, no futuro, combater 12 tipos de infecções causadas pela bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina ou SARM, muito propagada em ambientes hospitalares.

A bactéria se tornou resistente a vários antibióticos, primeiro à penicilina e logo depois à meticilina.

A pesquisa, que também envolveu especialistas belgas, nomeou o medicamento de Seraticin e espera que ele poderá ser ministrado na forma de injeção e comprimidos.

Os cientistas afirmaram que são necessárias 20 larvas para adquirir uma gota de antibiótico em sua forma purificada.

O principal pesquisador envolvido no trabalho, Norman Ratcliffe, disse que a equipe está satisfeita com os resultados obtidos até agora.

“Ainda há muito a avançar se explorarmos todos os benefícios desta descoberta”, disse o cientista.

Eficácia

Ratcliffe disse que o próximo passo da pesquisa será confirmar a extensão da eficácia do antibiótico para produzi-lo em larga escala.

O zoologista que forneceu as larvas para o projeto disse que elas têm várias propriedades terapêuticas.

“Elas produzem enzimas que podem limpar feridas e conter a propagação de bactérias”, disse Alun Morgan, do laboratório ZooBiotic.



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Fábio Santos
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Alemanha faz 1º transplante duplo de braços

Médicos de Munique, no sul da Alemanha, apresentaram os resultados do primeiro transplante duplo de braços completos realizado com sucesso.

O paciente, que não teve seu nome divulgado, foi um agricultor de 54 anos que perdeu os membros superiores há seis anos em um acidente com uma máquina agrícola. Ele recebeu outros dois de um rapaz de 19 anos com diagnóstico de morte cerebral em conseqüência de um acidente de carro.

"A operação correu muito bem. Infelizmente não posso comparecer à entrevista coletiva, mas estou à disposição da imprensa em uma ocasião posterior", declarou o paciente, em uma gravação que os médicos executaram para os jornalistas durante a entrevista que sucedeu a cirurgia.

O cirurgião plástico Edgar Biemer, que chefiou a operação, disse que a técnica foi preparada durante cinco anos. Mas só na sexta-feira passada foi encontrado um doador adequado.

Durante o transplante, receptor e doador ficaram em duas salas contíguas. Em um recinto, dois grupos de cirurgiões se encarregaram de retirar ambos os braços do doador enquanto, na outra sala, outros dois times trabalharam cada qual em um lado do tronco do receptor, preparando as regiões na altura das axilas para o transplante.

Um quinto grupo retirou veias de outras partes do corpo para ser implantadas nos braços e melhorar a circulação sanguínea dos membros.

Todo o processo durou mais de 15 horas: começou na noite da sexta-feira, dia 25, e durou até o dia seguinte.

Recuperação

A cirurgia foi realizada pela equipe do hospital da Universidade Técnica de Munique, Klinikum rechts der Isar, que incluiu quase 40 pessoas, entre cirurgiões, anestesistas e enfermeiros.

O paciente passa bem, mas deve ficar internado ainda por cinco semanas.

"Nesse tempo, ele já fará importantes exercícios de fisioterapia para que seus braços se mobilizem e possam ser sentidos", disse Biemer.

O médico avalia que serão necessários cerca de dois anos para as células nervosas dos membros superiores se desenvolverem o suficiente para que o paciente tenha condição de sentir os dedos das mãos.

"Ele não vai conseguir tocar piano, mas vai poder viver muito melhor do que com as próteses que usava", comparou o cirurgião.

Segundo os especialistas, o risco de rejeição para transplantes de membros externos é maior que o de órgãos internos.

Enquanto nas mãos quase não há medula óssea, os braços superiores têm grande quantidades de medula, composta de células que podem provocar reação de rejeição.

"As possíveis reações são mais fortes do que em quaisquer outros transplantes de órgãos, porque a pele é a grande barreira imunológica do corpo", afirmou o cirurgião plástico Edgar Biemer.

Em um transplante incluindo o braço inteiro estão presentes 20% da parcela de pele do corpo todo.

"A pele estranha é mais facilmente rejeitada pelo sistema imunológico. Mas atualmente existem vários métodos novos para evitar essas reações", disse Biemer.

O paciente terá que tomar medicamentos contra a rejeição dos membros para o resto de sua vida.

Até agora nunca foi realizado um transplante incluindo os braços.

Em fevereiro de 2003, médicos austríacos na Universidade de Innsbruck realizaram o primeiro transplante duplo de antebraços e mãos em um paciente.

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Estresse 'dobra' risco de diabetes nos homens, diz estudo

Fonte: BBC Brasil

Uma pesquisa realizada na Suécia sugere que homens que sofrem de alto nível de estresse podem dobrar os riscos de desenvolver diabetes tipo 2.

O estudo, publicado na revista científica Diabetic Medicine, analisou 2,127 homens nascidos entre 1938 e 1957 durante dez anos.

No início da pesquisa, os participantes apresentavam níveis normais de glicose e foram examinados com relação aos sintomas do estresse como fadiga, ansiedade, depressão, insônia e apatia.

Depois de dez anos, os voluntários passaram novamente por exames para avaliar os níveis de glicose e estresse. Segundo os resultados observados pelos pesquisadores, aqueles que apresentavam maior nível de estresse corriam 2.2 vezes mais risco de desenvolver diabetes tipo 2 do que os homens com baixo nível de estresse.

O estudo aponta que essa relação se manteve mesmo quando observados outros fatores como idade, massa corporal, histórico familiar de diabetes e outras variantes.

No total, 103 dos participantes foram diagnosticados como diabéticos ao final da pesquisa.

Segundo os pesquisadores, a relação entre estresse e a diabetes pode ser resultado dos efeitos do estresse na capacidade do cérebro em regular os hormônios ou ainda da influência negativa que a depressão exerce na dieta e no nível de atividade física das pessoas.

Mulheres

O estudo, realizado no Instituto Karolinska, analisou ainda 3 mil mulheres e não identificou um aumento no risco de desenvolver diabetes entre aquelas com alto nível de estresse.

De acordo com Anders Ekbom, que liderou o estudo, isso poderia ser explicado pela diferença no modo como homens e mulheres lidam com o estresse.

“Enquanto as mulheres comunicam os sintomas de estresse e depressão, os homens são menos dispostos a admitir esses sentimentos e lidam com o problema bebendo, usando drogas ou com outras ações particulares”, afirmou.

Entretanto, para Iain Frame, diretor da ONG Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos, o fato de esta relação ter sido observada apenas nos homens é “intrigante”.

"Seria interessante descobrir o porquê desta diferença. Os resultados sugerem que isso poderia ser resultado de uma influência hormonal ou de comportamento", afirmou Frame.

Segundo ele, estudos anteriores já haviam indicado que o estresse é considerado um fator de risco para a diabetes tipo 2 e o estudo realizado pelos suecos "parece confirmar esta relação".

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Brasil pode alcançar EUA em obesidade infantil, indica estudo

Fonte: BBC Brasil

As crianças e adolescentes brasileiros estão chegando perto dos americanos da sua faixa etária em índices de obesidade e, se não se cuidarem, poderão se tornar os novos gordinhos do século 21, indica um estudo inédito de pesquisadoras da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

O trabalho do Departamento de Medicina Integral, Familiar e Comunitária da Uerj analisou 260 alunos de 10 a 19 anos de uma escola pública no Rio de Janeiro e verificou que 15,6% estavam acima do peso recomendado para a sua faixa etária e 11,7% já poderiam ser consideradas obesos. Nos Estados Unidos, 17% estão nessa situação, embora essa categoria não seja adotada.

"Em uma geração, essa situação já pode estar muito parecida com a dos Estados Unidos", afirma a médica de família Débora Teixeira, uma das autoras do estudo. "Nossos padrões alimentares copiam muito o dos americanos: muito açúcar, muito carboidrato."

No Brasil, uma criança tem excesso de peso quando está acima do percentil 85 da curva de índice de massa corporal ideal (IMC) para a sua faixa etária; para ser considerado obeso, é preciso ultrapassar o percentil 95.

O IMC é calculado pela divisão do peso em quilos pela altura da pessoa ao quadrado. No caso de adultos, uma pessoa é considerada acima do peso quando tem um IMC acima de um número determinado.

Para as crianças, foi desenvolvido um gráfico em curva com base em IMCs de crianças do mundo todo. Dessa forma, o índice é inserido em uma faixa mais flexível do que a tabela utilizada para adultos.

"Se uma criança estiver no percentil 85, significa que ela está acima de 85% das crianças daquela faixa etária. Por isso, ela é considerada acima do peso."

EUA

Nos Estados Unidos, o Centro para Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) só considera acima do peso quem estiver no percentil 95.

Mas especialistas como o pediatra Mark Jacobson, da Associação Americana de Pediatria, já consideram a saúde de uma criança comprometida no percentil 85.

Segundo Jacobson, se o cálculo incluísse o percentil 85, no Estado de Nova York, por exemplo, 42% das crianças já poderiam ser consideradas com "excesso de peso". No caso da escola de Vila Isabel analisada pela Uerj, por exemplo, crianças acima do peso e obesas somam 27,3%.

Teixeira diz que o estudo da Uerj retrata uma realidade específica, de uma escola urbana freqüentada por alunos da classe C, mas indica um quadro observado com cada vez mais freqüência no país.

"A gente sabe que o problema está piorando, esse estudo ajuda a gente a ter uma noção se essas pessoas vão melhorar ou não."

Situação "grave"

O endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Federação Latino-Americana de Sociedades de Obesidade, ressalta que, embora o Brasil esteja atrás dos Estados Unidos, o problema tem piorado tanto que, se nada for feito, o país pode caminhar para uma situação "até mais grave" do que a americana.

"Nós ainda estamos passando por uma mudança, com aumento do acesso a TV, automóvel e telefone. Nos Estados Unidos, eles já passaram por isso há 40 anos."

Jacobson também vê o risco de o Brasil seguir o caminho dos seus compatriotas. "Há semelhanças: as crianças estão mais urbanas, há menos oportunidades para atividades físicas, o fast-food está se disseminando", diz o pediatra, que já fez diversas palestras sobre o assunto no Brasil.

Uma criança obesa não só tem mais chances de se tornar um adulto obeso como aumenta as suas chances de desenvolver doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos.

"É muito assustador porque a quantidade de pessoas que têm já problema de pressão, obesidade, diabetes é muito grande", afirma a médica Maria Inez Padula Anderson, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e uma das autoras do estudo.

"Isso (o estudo) faz a gente imaginar que a criança vai estar na mesma situação em uma idade anterior", acrescenta.

Além dos problemas físicos, a criança tende a enfrentar problemas de auto-estima que podem dificultar os seus relacionamentos e aprendizado escolar, acrescenta Débora Teixeira.

Família

Com base em estudos recentes que indicam que a obesidade dos pais é o maior fator de risco para uma criança se tornar obesa, as pesquisadoras da Uerj também avaliaram a relação entre a silhueta dos pais e a dos filhos.

De acordo com os resultados, 37,9% dos meninos acima do peso relataram ter pais com esse problema; entre os jovens com peso normal, esse índice foi de 28,7%.

O fato de as crianças que participaram do estudo serem de classe média/classe média baixa também é interpretado pelos pesquisadores como um sinal de que pelo menos hoje no Brasil não é preciso ser rico para comer demais.

Na realidade, segundo Teixeira, a pobreza pode ser "um fator de risco" para a obesidade, já que os alimentos mais baratos hoje em dia são os industrializados, com alto índice de açúcar e gordura.

Para a médica, mais acostumado a debater problemas como a fome e a desnutrição, o Brasil ainda precisa acordar para a complexidade do problema de obesidade.

"A consciência de que a obesidade é uma doença, um problema de saúde grave, é recente, não tem mais de dez, 15 anos", diz a pesquisadora. "O povo brasileiro tem uma preocupação grande com a estética, mas falta compreender o problema do ponto de vista da saúde."




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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

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Brócolis pode reverter danos ao coração


Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos sugere que o brócolis pode reverter danos causados pela diabetes aos vasos sangüíneos do coração.

A equipe, da Universidade de Warwick, acredita que um composto fabricado pelo vegetal, o sulforafano, seria responsável pela produção de enzimas que protegem os vasos, e de moléculas que reduzem danos causados às células pelo excesso de açúcar.

Segundo os especialistas, os diabéticos têm até cinco vezes mais chances de desenvolver doenças vasculares, como ataques cardíacos e infartos, ambos ligados ao mau funcionamento dos vasos sangüíneos.

O estudo, divulgado na publicação científica Diabetes, testou os efeitos do sulforafano em células dos vasos sangüíneos danificadas por altos níveis de glicose (hiperglicemia), associados à diabetes.

Eles verificaram que o composto encontrado no brócolis reduziu em até 73% o nível de moléculas chamadas Espécies Reativas do Oxigênio (ROS, na sigla em inglês), produzidas em excesso quando o organismo concentra altos níveis de açúcar.

Segundos os especialistas, essas moléculas danificam as células humanas.

Eles também descobriram que o sulforafano ativou uma proteína chamada nrf2, que protege células e tecidos ao produzir enzimas antioxidantes e desintoxicantes.

O coordenador da pesquisa, Paul Thornalley, disse que o estudo sugere que substâncias como o sulforafano podem ajudar a conter o aparecimento de doenças vasculares em pacientes com diabetes.

“No futuro, será importante testar se uma alimentação rica em brócolis e outros vegetais brassica (como couve-flor e repolho) pode se traduzir em benefícios para os que sofrem da doença. Esperamos que sim”, disse o pesquisador.

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